OCT na odontologia: microimagem em tempo real que orienta a clínica
A odontologia digital amadureceu e, com ela, a possibilidade de enxergar o que antes passava despercebido. Entre as tecnologias que vêm ganhando espaço, a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) se destaca por gerar imagens seccionais de alta resolução, sem radiação, em tempo real. Neste artigo, você vai entender o que é a OCT, onde ela realmente agrega valor na prática clínica e como incorporar a técnica com segurança e retorno tangível.
O que é OCT e por que ela é diferente
A OCT utiliza luz próxima ao infravermelho para varrer as camadas do tecido e reconstruir, por interferometria, uma imagem em cortes finos (da ordem de micrômetros). Ao contrário das radiografias, que dependem de radiação ionizante e apresentam superposição de estruturas, a OCT oferece microdetalhes de superfície e subsuperfície até profundidades típicas de 1–3 mm, o suficiente para avaliar esmalte, junção amelo-dentinária e tecidos moles superficiais. É uma técnica não invasiva, rápida e repetível.
Onde a OCT muda decisões clínicas
- Cárie incipiente e fissuras: ao revelar desmineralização inicial e trincas no esmalte, a OCT ajuda a diferenciar manchas ativas de lesões inativas e orienta intervenções minimamente invasivas. Em pit and fissure, reduz a incerteza na indicação de selantes versus preparo.
- Adesão e interfaces restauradoras: microgaps, bolhas e desadaptações marginais aparecem com clareza. Isso embasa retrabalho imediato quando necessário e aumenta a longevidade do tratamento.
- Endodontia coronária: fraturas coronárias e linhas de craze podem ser identificadas, assim como variações na câmara pulpar. Embora a penetração seja limitada para avaliar ápice, a informação proximal ao acesso é valiosa para decisão de cobertura cuspal ou proteção.
- Periodontia e tecidos moles: espessura epitelial, contorno gengival e características de cicatrização podem ser acompanhadas. A OCT auxilia na documentação de recessões e na avaliação de enxertos de tecido conjuntivo nos estágios iniciais.
- Peri-implantar: apesar do sombreamento gerado pelo metal, a OCT possibilita medir a espessura de mucosa peri-implantar e acompanhar inflamação superficial, fornecendo um alerta precoce para intervenções.
OCT não substitui: ela complementa
Cada método de imagem responde a perguntas diferentes. Bite-wings continuam soberanas para detectar cárie proximal em dentina; o CBCT segue insubstituível para avaliação tridimensional de osso, canais radiculares e planejamento cirúrgico; técnicas como NIR e fluorescência auxiliam na triagem. A OCT entra para iluminar microdetalhes superficiais e subsuperficiais, especialmente em esmalte, interface adesiva e tecidos moles. Usá-la de forma complementar evita redundâncias e reduz exposição desnecessária a radiação.
Protocolos práticos para sua rotina
- Indicações-alvo: defina listas objetivas. Ex.: avaliação de fissuras oclusais duvidosas, controle de restaurações extensas, documentação de recessões gengivais e acompanhamento de cicatrização precoce.
- Captura padronizada: estabeleça ângulos, sequência de dentes e tempo por dente (ex.: 20–40 segundos). Use referências visuais no software para repetir cortes em recalls.
- Laudos concisos: descreva achados com linguagem objetiva (presença/ausência de microgap, extensão aproximada da área hiporrefletiva, comparação com exame prévio).
- Integração ao prontuário: salve as imagens com metadados (dente, face, data, operador) e tags que facilitem busca. Isso acelera revisões e auditorias clínicas.
- Consentimento informado: explique ao paciente que se trata de exame sem radiação, útil para diagnóstico precoce e acompanhamento de resultados.
Limitações e como contorná-las
- Profundidade restrita: a OCT não alcança estruturas profundas. Combine com radiografias quando houver suspeita além de 2–3 mm.
- Sombreamento por metal: restaurações metálicas e implantes geram artefatos. Foque em áreas adjacentes e tecidos moles.
- Curva de interpretação: reserve tempo de treinamento da equipe para reconhecer padrões hiporrefletivos (desmineralização) e hiperrefletivos (interfaces e superfícies polidas).
- Custo e ROI: concentre o uso em cenários de maior impacto (reintervenção evitada, adesão móvel, controle de qualidade) e documente resultados para avaliar retorno.
Pequenos casos que ilustram valor
- Fissura que não era “achismo”: paciente jovem com mancha oclusal. Biópsia invasiva evitada ao confirmar, via OCT, desmineralização superficial confinada. Opção por selamento resinoso monitorado.
- Interface que pedia ajuste: após restauração indireta, a OCT mostrou microgap marginal distal. Ajuste imediato, nova cimentação e redução de sensibilidade pós-operatória.
- Gengiva em recuperação: pós-enxerto, imagens seriadas evidenciaram espessamento progressivo do tecido e fechamento de microdeiscências, sustentando a alta programada com confiança.
Implantando em 30 dias
- Semana 1: escolha foco clínico (ex.: interfaces restauradoras e fissuras oclusais) e defina indicadores (reintervenções evitadas, tempo por exame).
- Semana 2: treine equipe em 10 casos internos (staff), crie checklist de captura e de nomeação de arquivos.
- Semana 3: piloto com 20 pacientes, coleta sistemática de dados e fotos clínicas correlatas.
- Semana 4: revise achados, compare com condutas passadas, ajuste protocolo e decida critérios de uso ampliado.
Métricas que importam
- Taxa de mudanças de conduta: quantos casos tiveram decisão alterada pela OCT.
- Retrabalho evitado: restaurações reabertas no momento certo (ou evitadas).
- Tempo por exame: tendência de queda com o treinamento.
- Satisfação do paciente: entendimento do plano quando vê a imagem da própria boca em corte.
Integração digital e comunicação com o paciente
A força da OCT também está em explicar melhor. Mostrar uma seção do dente com uma linha de desadaptação ou uma área de desmineralização ajuda o paciente a compreender o “porquê” da conduta e aumenta adesão. Ao vincular as imagens ao prontuário e aos planos de tratamento, você cria uma trilha clara de decisão, essencial para auditorias clínicas e para o acompanhamento longitudinal.
Conclusão
A Tomografia de Coerência Óptica não substitui exames consagrados, mas preenche uma lacuna: microdetalhes úteis para decisões diárias com mínima incerteza. Se o objetivo é diagnóstico precoce, controle de qualidade e comunicação transparente, a OCT oferece um caminho seguro, rápido e mensurável. Comece pequeno, meça, ajuste e expanda.
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